Por direitos e aumentos salariais

Hotéis <i>Tivoli </i>em greve

Com forte adesão e muita firmeza na resistência às manobras e pressões patronais, os trabalhadores dos hotéis Tivoli (Lisboa, Jardim, Sintra e Seteais) estiveram em greve na Páscoa.

A «crise» serve para conter os já baixos salários

Na quinta-feira, quando distribuiu uma nota à comunicação social, a informar de que os trabalhadores iam entrar em greve no sábado, o Sindicato da Hotelaria do Sul afirmava esperar «adesão total, face à revolta» sentida pelo pessoal e que se devia a «uma atitude prepotente» da administração do grupo hoteleiro, que coloca em causa direitos e recusa a actualização dos salários.
Já nesse comunicado, o sindicato da CGTP-IN alertava que a administração, além de procurar «intimidar os trabalhadores», «está também a tomar um conjunto de medidas ilegais», «provocando-os e procurando arrastá-los para eventuais confrontos, que iremos evitar a todo o custo». A ACT (inspecção do trabalho) não leu esse alerta e, certamente, não viu os noticiários que deram conta de confrontos e da intervenção da Polícia, logo no sábado de manhã, junto às duas unidades hoteleiras na Avenida da Liberdade, em Lisboa; e também não respondeu à chamada do sindicato, que queria ver fiscalizada e punida a substituição ilegal de trabalhadores em luta, por outros, contratados já depois de apresentado o pré-aviso de greve.
Alguma dessa fiscalização acabou por ser feita pelos piquetes de greve, que revelaram aos jornalistas terem detectado vários sinais da ocultação do crime, como roupas e equipamentos de trabalho abandonados nos corredores. Mas a própria intervenção policial terá tido por objectivo permitir que entrassem no hotel pessoas que o sindicato apontava como ilegalmente contratadas.
O recurso à contratação de «extras» foi referido pelo presidente do sindicato, Rodolfo Caseiro, como o desmentido prático das afirmações da administração sobre a «fraca» adesão à greve. O dirigente lembrou ainda aos jornalistas a situação financeira desafogada em que se encontram os hotéis Tivoli, propriedade do Grupo Espírito Santo, que obtém lucros milionários mesmo em tempos de «crise». E salientou que não tem justificação a recusa de aumentos de salários que, em média, rondam os 600 euros.
Em plenário, sábado à tarde, junto aos hotéis de Lisboa - onde dezenas de trabalhadores estiveram concentrados durante a paralisação -, foi decidido prolongar a greve para o domingo de Páscoa. A luta viria a ser suspensa ao início da tarde deste segundo dia, uma vez que trabalhadores e sindicato resolveram responder com um pedido urgente de reunião às afirmações públicas da administração, que se declarava disponível para o diálogo. A reunião entre representantes dos trabalhadores e do grupo hoteleiro foi marcada para ontem à tarde. A possibilidade de retomar a luta foi claramente deixada em aberto pelo sindicato, caso o diálogo não fosse efectivo.
No dia 1, quinta-feira, o sindicato realizou mais duas acções públicas junto de clientes, em unidades do Grupo Pestana Pousadas. Em Elvas (Pousada Santa Luzia) e em Estremoz (Pousada Rainha Santa Isabel), a administração foi novamente acusada de instalar «um clima de repressão e medo», para impor transferências de pessoal para locais de trabalho a mais de cem quilómetros, para intensificar os ritmos de laboração e para obter trabalho extraordinário que não paga.
Os trabalhadores do Bingo do Futebol Clube do Porto concentraram-se, dia 1 de Abril, nas imediações do Estádio do Dragão, em protesto contra o encerramento da sala de jogo, que lhes foi comunicado na véspera, e em defesa dos 23 postos de trabalho. Para o Sindicato da Hotelaria do Norte, o fecho do bingo é ilegal e até «estranho», pois o clube tinha pedido a revogação da licença de exploração, que vigora até 2013. Após uma reunião realizada ontem, a direcção do FCP manteve a intenção de encerrar o bingo e o sindicato reafirmou as acusações da ilegalidade dessa decisão.
Frente à Direcção Regional da Educação do Centro, em Coimbra, concentraram-se, dia 26 de Março, algumas dezenas de trabalhadoras de cantinas escolares da região, noticiou a agência Lusa. Uma exposição, dirigida à ministra e entregue na DREC pelo Sindicato da Hotelaria do Centro, que promoveu o protesto - no âmbito de uma greve nacional do sector - refere-se que as cantinas da maioria das escolas têm sido concessionadas a empresas privadas que «nem sempre respeitam a lei e o contrato colectivo de trabalho». No distrito, a greve teve adesão total em quinze estabelecimentos de ensino.

PCP saúda e alerta

O PCP saudou «calorosamente» os trabalhadores dos hotéis Tivoli, «pela sua determinação, firmeza e coragem, em luta pelo aumento dos salários e contra a arrogância patronal e em defesa do respeito pela sua dignidade profissional». Num comunicado que emitiu segunda-feira, a Organização da Hotelaria do Partido na cidade de Lisboa recordou que «há muitos anos» aqueles trabalhadores «têm demonstrado a sua força, resistindo, em unidade», e enfrentando uma situação «comum à de muitas centenas de milhares de trabalhadores por todo o País», devido «à política de exploração desenfreada que este Governo do PS tem imposto». «Esta política reaccionária é hoje comum a todos os países capitalistas» e explica-se «porque o capitalismo está numa crise enorme, que mostra que este sistema está podre e tem que ser substituído por outro - o socialismo» - salienta-se no comunicado.


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